Ucrânia

EUROPA Sob cerco da Rússia, cidade ucraniana de Mariupol abre valas para enterrar mortos

Foto: Alexandros Avramidis / Reuters


Com seu estratégico porto no Mar de Azov, Mariupol, no Sudeste da Ucrânia, está sob um cerco devastador desde a invasão russa, com bombardeios constantes que impedem a entrega de comida e água, bem como a retirada dos civis. Na sexta-feira, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que a cidade agora está completamente cercada.

Segundo a Prefeitura, 1.582 civis perderam a vida em 12 dias na cidade. Foi em Mariupol que um ataque russo atingiu um hospital pediátrico na quarta-feira, motivando condenações internacionais.

“Os cercos são uma prática medieval proibida pelas leis modernas da guerra”, afirmou Stephen Cornish, um dos coordenadores da operação dos Médicos Sem Fronteira na Ucrânia.

Com necrotérios lotados e muitos corpos sem ser coletados dentro das casas, autoridades locais decidiram que não poderiam esperar para realizar funerais individuais para os mortos. Assim, começaram a ser abertas valas comuns para o enterro rápido de civis e soldados.

No entanto, segundo afirmou a prefeitura neste sábado, os ataques aéreos constantes vêm interrompendo o trabalho das equipes que cavam as valas, impedindo todos enterros e fazendo com que muitos corpos permanecem nas ruas, de acordo com a Associated Press.

“Há cadáveres nas ruas, ninguém os enterra. Eles podem ficar lá por vários dias, até que um caminhão municipal venha buscá-los e os deixe em um vala comum”, Yulia, uma professora de 29 anos que conseguiu fugir de Mariupol, e que falou ao telefone com sua sogra, que ainda está na cidade.

Localizada a cerca de 55 km da fronteira russa e a cerca de 85 km do reduto separatista pró-Moscou de Donetsk, Mariupol é a maior cidade na área de Donbass, região que, além da autoproclamada República Popular de Donetsk, inclui a também separatista República Popular de Lugansk.

Por isso, o controle da cidade é estratégico para Moscou, já que permitiria garantir uma continuidade territorial entre suas forças procedentes da Península Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e as unidades dos territórios separatistas pró-Moscou.

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